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Quero ir pra casa

 

 

Andei pensando em você, em como me fazia sentir em paz, você era minha casa.  

Uma casa construída nas nuvens, com alicerces feitos de sentimento e poesia. 

Na varanda, todo sol abraça e acolhe, e a brisa refresca a alma. 

Da janela vejo o Mar, teu cheiro penetrando em cada poro, beijando meu rosto suavemente.  

No quarto todos os abraços que nos faltam dar. 

Na sala um espaço pra dança, e dançamos, dançamos, dançamos nossa música que paira no ar. 

Eu te escrevo a letra, você faz a melodia. 

Me sinto viva, me sinto eu novamente, Flutuando nas partículas do nosso nós. 

Consegue sentir isso? Meu peito ainda sente tão forte e tão intensamente que dói. 

Eu quero ir para casa. Leve-me para casa.  

Para qualquer lugar nesse vasto universo em que você e eu sejamos... Nós. 

Minha casa está tão longe, tão longe de mim.  

Apenas lembre-se de mim, apenas pense em mim.  

Eu só quero ir para casa 

 

E te acompanho a distância...

 


Não deveria, pois não me faz bem querer teu bem mais que o meu bem. Não deveria, pois me dói ver o castelo. Dói porque me faz parecer má. 

Doida e má. 

Onde eu perdi a minha essência de ser a heroína? Quando foi que eu virei a bruxa má desse castelo?

Eu te acompanho para ver se segues bem. 

Será que sorri? Eu me pergunto. 

Será que saudável? Eu me preocupo.

Então eu vejo. E me machuco. Dói não saber se existes e dói saber que existe tão bem, tão pleno. Tão sem mim. É como a espada do Rei Arthur, profundamente encravada em minha alma. Sigo a vida plenamente. E então: ato falho, vem teu nome!

Eu seguro teu nome na ponta da língua para não chamar outros por ele.

A tua memória em mim não se apagou. Mas eu fui facilmente esquecida. Fui. Pretérito perfeito do indicativo, que indica um passado imperfeito e incompleto, pra mim...

 Por que me machuco buscando tua miragem? Uma miragem que se envergonha do passado? Por que fincar na promessa se nunca tivestes palavra?

Eu te afasto de minhas lembranças, eu te guardo em esconderijos, profundos do meu coração, para que eu não seja mais capaz de encontrar a memória. E do nada ressurges. Um alguém que nunca me deu a verdade. Que nunca me foi inteiro. Que nunca se lançou no precipício por mim. Um alguém que não deveria existir para mim. Mas que eu acompanho a distância para saber que ainda existe nesse mundo.

Vou desconjugar teu nome. Serás para mim como um pronome de tratamento raro. Guardado em algum lugar. Nunca usado. Nunca mexido. Ainda que existente. Serás para mim como um eclipse visto entre nuvens, estarás lá, mas não verei. Não sentirei. Serás para mim como uma poesia incompleta, porém terminada.  Serás para mim o que hoje eu sou pra ti: Nada...

 

 

 

 

 

 

Para sempre e mais um dia



Prezado santo,

Para sempre e mais um dia era a vaga promessa... E eu que não queria promessas. E eu que não queria acreditar. Me pergunto porque acreditei. Se eu disser que ainda dói até os astros rirão de mim. Olhando agora não faz nenhum sentido. E ainda assim, se me perguntarem se ainda dói terei de dizer que sim

Três anéis entrelaçados? Deve ter comprado em alguma esquina. Segredos revelados? Devem ter sido contados a conta-gotas, apenas os que interessava contar. Dói imenso. Dói profundo. E não é que doa o esquecimento, eu também tentei esquecer. E não é que doa a frieza, eu também aprendi a ser inverno. Não me dói o seguir em frente, eu desejei isso. Mais que tudo eu quis o teu sucesso e a tua felicidade.

 O que dói é a mentira. O que dói é a falsa pureza. A falta de verdade. Então eu quem fui atrás? Então eu quem criei tudo? Então fui eu... eu que entoava canções na madrugada, eu que percorria, kms, fui eu quem quis fugir de tudo? Fui eu quem disse: -Vamos embora agora, vamos largar tudo. 

Foi?

Não foi! Não é isso que dizem as cartas, as fotos, as mensagens salvas e as testemunhas que não me deixam enlouquecer. Não foi assim. É mentira como todo o resto foi mentira. Foi mentira. E enquanto declarava “para sempre” para mim, tentava criar uma nova constelação. Tantas mentiras. Tantas. Tantas.

E me acusas de ser fácil? Aquela que escreve mensagem para qualquer um... Será? Tudo que fiz desde aquele dia foi para o seu bem e faria tudo novamente. Você está no caminho certo, essa é uma vida curta e você deve aproveita-la com essas pessoas incríveis, únicas, especiais, raras. Mas a mentira... A mentira dói! Não sei dizer se tenho ainda a mesma pureza e ingenuidade de outrora, talvez não, porque nunca mais, nunca mais deixei ninguém chegar tão perto. Perto o suficiente para me ferir. Perto o suficiente para machucar tanto quanto você. Seu mentiroso! Continue contando essa história como se você fosse o herói inocente, difamando minha memória e história. Todavia, lembre-se que Aquele que há de sempre existir não dorme. Ele sabe que você mente e a Ele você não pode enganar. santo!

Há dias que parecem ter 48 horas

 


Acordo cansada e o ar dói, o sentido das coisas parecem ter se perdido em algum lugar distante. O tempo não conta as angustias com leveza. Arde a pele, arde a alma. Sinto que tudo caminha em câmera lenta e inexplicavelmente eu ainda estou aqui. Mas não faz nenhum sentido.

Falta em mim alguma coisa mágica para seguir os dias nesse mundo, falta algum talento, algum dom que se perdeu no caminho. Não foi colocado. Sigo com a coragem dos desajustados, aqueles que não se encaixam, aqueles que não têm aquela coisa a mais, aqueles que não tem nada de mais. Nem tão ruins para serem abomináveis, nem tão bons para bastarem.

Eu passo os dias absolutamente existindo, até o dia que não mais seja. Terá sido eu o erro de algum inventor do universo? Se quando encaro o mundo parece que sufoco e os únicos momentos que de fato respiro é quando as palavras se unem em versos.

Quando escrevo sobre o nada é que me encontro em qualquer coisa. Mas se vivo um único instante tudo parece absolutamente irreal. Eu me agarro em cordas imaginarias para continuar nesse mundo. Nada faz sentido. Tudo é um caminhar vazio e o final é sempre o mesmo.

Eu sinto que não demorará tanto mais. Uma pena que eu não tenha deixado nada significativo para trás. Nada além de palavras escritas ao vento. Nada além de um mar de palavras em que nadei e me afoguei. O único lugar onde sei que fui tudo o quanto tinha para ser.

Era uma vez... Nós

 


Era uma vez infinitos universos e bilhões, zilhões de anos.

Era uma vez uma vidinha simples. Sem imortalidade, sem felizes para sempre.

Era uma vez uma combinação de poeira estelar. Carbono, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fosforo.

Era uma vez... Nós.

 

Nós estamos aqui nessa existência passageira, lutando por coisas que não nos trazem felicidade, gastando nossa vida como se ela fosse eterna.  Mas é só um instante essa nossa passagem no planeta. Eu sequer lembro de quando cheguei aqui pela primeira vez, parece que foi em uma quinta-feira, às 23:30. Eu acho que estava chovendo, eu acho porque sou mais da chuva e da melancolia. Sempre fui.  Mas é bem capaz do universo só para me contradizer ter me trazido bem em um dia fresco e perfeito. O Universo gosta de fazer isso comigo, às vezes. Eu espero o drama e coisas extraordinárias e ele me serve uma quinta-feira normal, em uma semana qualquer.

Não lembro de nada de quando nasci, toda minha infância é um emaranhado de lembranças difusas, é como se o passado se desprendesse de nós e nos empurrasse para o presente e o futuro. Nós... Seres feitos de poeira. “Do pó ao pó”. Imaginando que somos mais, querendo sempre mais. Julgando os outros como se no ápice da nossa imperfeição fossemos alguma coisa a mais que pó.  Nós que esquecemos do agora, que vivemos o nosso individualismo com paixão.

Vivendo um instante. Um instante infinito, e como bem disse o Green “alguns infinitos são maiores que os outros”. Temo que o meu infinito esteja próximo do final, talvez eu apenas esteja esperando chuva novamente (risos), mas se de fato for o fim do instante... Ah, como queria dizer que sou grata por todas as estrelas que brilharam no meu céu particular. Como gostaria de agradecer por termos dividido histórias, sonhos, medos, musica, poesia, abraços, lágrimas, risos, mágoas, raiva, dor, esperança, fé e amor. Como queria que soubessem que mesmo que pareça pouco, mesmo que pareça ter sido um sopro... foi eterno.

Eu tenho pensado no final, a pandemia nos mudou de alguma forma (algumas pessoas para pior), as experiências enfrentadas nesse ano também. Eu quando voltar a ser pó, deixarei para trás um universo brilhante de estrelinhas, sentirei saudade de rirmos dos erros da Matrix, sentirei mais saudade ainda de ser eu. Eu fui perfeitamente imperfeita, há uma beleza incrível em ser quinta-feira, podem acreditar. Sou grata pela beleza.

 

Fala para mim

 


Me fale sobre seus dias. Você tem sido feliz? Você tem encontrado sentido nas coisas? Como ficou aquele projeto guardado? Você ainda rir alto quando algo te anima? Me fala dos teus sonhos, você ainda luta por eles? Ainda há alma dentro da tua alma?

Me fala da tua canção. Ela ainda te toca? Ela ainda te move? Você ainda se sente parte de tudo isso? Como tem passado teus dias? Como tem tirados as máscaras? Ou nunca as tira?

Me fala sobre a tua fé, ela segue inabalável? Ou você passou a não entender os caminhos dessa estrada? Você está onde gostaria? Você é quem gostaria? Me conta sobre as inúmeras vezes que você perguntou a si mesmo o que estava fazendo...

Me fala... Você sabe o que está fazendo? Alguém sabe o que está fazendo? Alguém realmente sabe alguma coisa? Me escreva contando sobre às vezes que você namorou a noite, se encantou com as estrelas e se viu na lua.

Me fala como é está aí desse lado, como é ser você em um mundo de outros. Me fala...

 

De ser solidão

 


Vocês já se sentiram sozinhos? Realmente sozinhos? Mesmo que tenha alguém por perto. Como uma solidão na alma... Já sentiram?

Às vezes eu acho que esse é um sentimento bem único meu. Algumas pessoas nascem com um sinal, outras com algum probleminha respiratório, tem quem nasça com sopro no coração...  Não tem? Eu nasci com a solidão. Veio entranhada nos meus poros. Consigo sentir mesmo se estiver em uma sala cercada por outras pessoas, sinto as pessoas olhando para mim, mas ninguém me enxerga de verdade.

Houve um tempo em que eu me esforcei tanto para ser perfeita, eu achava que se eu fosse a melhor amiga, a melhor filha, a melhor irmã, a melhor tia, as pessoas me amariam a ponto de olharem para mim e me enxergarem. Mas isso não funciona por muito tempo, as pessoas têm as próprias vidas e sonhos e sempre seguirão os próprios caminhos.

Não acho que seja culpa de ninguém ou alguma deficiência minha. Acho que é quem eu sou. Eu sou a solidão, eu caminho por entre as pessoas com frequência diferente, muito difícil de me ajustar aos outros e poucos tentaram se ajustar a mim. Acho que isso sim foi culpa minha, sempre cedi. Sempre disse: “não tudo bem, pode ser do seu jeito”, “eu não ligo”, “eu lido bem com isso”. Mas é claro que eu me importava, é claro que eu sempre cedia porque queria ser paz. O que nem todos sabem é que algumas vezes para levar a paz para os outros a gente carrega o confronto dentro da gente.

Vocês já se sentiram um erro? Algo fora de lugar? Eu sempre me senti assim, como se fosse sempre um erro a minha existência, um tropeço no caminho dos outros. Uma falha do universo. Um mundo Dark, conjurado errado. Não sei o que se faz quando se é um erro, porque não posso desistir de existir ou de mim. Não posso desistir, eu estou aqui. E sou real. Ainda que em sintonia diferente, ainda que sendo solidão. Eu existo.

Vocês já se sentiram sozinhos? Tão sozinhos que o mundo inteiro parecia uma peça em que você era apenas um telespectador?

Eu temo o dia em que eu não esteja mais aqui, porque acho que não fiz nada de importante nessa minha existência. As pessoas vão falar de mim por um tempo com saudade, mas depois a minha memória vai se apagar rapidamente. Não é como se eu tivesse mudado a vida de alguém, ou descoberto a cura de uma doença. Certamente não haverá ruas com meu nome, ou estatuas em minha homenagem. Eu serei uma brisa que passou inesperadamente, espalhou umas folhas e se foi.

Acordar sonhos



Cada vez que aceito o agora do jeito que está, adormeço meus sonhos.
 Não quero essa vida cotidiana, quero a mudança. 
Eu chamo a mudança.
Eu invoco a mudança. 
Eu sinto a mudança. 
As coisas não podem ficar como estão. 
Que venha a mudança. 
Que venha o melhor.
Que venha a vida!

Considerações sobre o fim de um amor:




Que cabe nas músicas da Marília Mendonça
Que provoca mais água salgada que o oceano
Que parece que nunca vai sarar, mas sara
Que a dor só quem sente é que mede
Que se tenta estender infinitamente,
mas quando acaba, acaba mesmo.
Que só funciona a dois. Nem a um, nem a três.
Que depois se descobre que é melhor estar só sozinho
Que sozinho acompanhado.
Que a gente sobrevive. Mais forte e mais firme.
Que passa...

Seja você




Apesar do mundo te dizer pra ser outra pessoa.
Apesar de você duvidar de si mesmo as vezes.
Apesar de você parecer não se encaixar.
Apesar de você parecer estar fazendo tudo errado.
Apesar dos medos de ser quem é.
Apesar das perguntas sem respostas.
Apesar das incompreensões.
Apesar das muitas críticas.
Apesar dos momentos de solidão.
Não há ninguém como você no mundo.
Você só viverá uma vez neste planeta.
Desse modo... Com esse jeito e características.
Um só de você. Uma só vez no universo
Então seja!

Não vou te esperar




Sigo comigo. Sou minha melhor companhia, me amparo, me acalento. Eu me entendo nos momentos de dor. Se erro comigo, me perdoo. Me encaixo no vasto universo. Me basto nesse encaixe. Não procuro mais completudes, se outrora as lacunas me incomodavam, hoje me refaço em poesia. Me renasço nas faltas.  Não vou te esperar para ser feliz, sinto urgência de viver meus dias. Sinto que já não posso mais ficar na estação esperando quem partiu. Sou também viagem e descanso. E me basto. Parto na melhor companhia, a minha...


O adeus ficou mais fácil




Se você vem como chuva, como chuva vai também. Não há culpa ou saudade. Essa ficou nos espaços em branco, nas lacunas do silêncio. Se quando surges nada falas, não vens! Fica onde estás. Não mexe nas gavetas trancadas, nas lembranças escondidas. Eu te esqueço como esqueci que roupa vesti na terceira segunda do mês passado. Eu te evaporo de meus poros. Eu te expurgo da minha alma, da minha vida, da minha narrativa.
Vá e não voltes a bater em minha porta. Deixe que eu renasça em um mundo onde a dor da despedida já não me afete. Me absolva da culpa de não mais querer essa romaria de lágrimas. Parta e me deixe inteira.

Pra que não se perca totalmente


Linhas tortas, desconexas, loucas. Pra dizer 
que pode ir. Vai... que  é vasto o teu chão e vasto o meu céu. Vai procurar tua melhor versão, que eu me desmancho em caos. Eu que te procuro no espelho, no reflexo. Vai e me traz as respostas, me traz de volta. Me traz melhor. Me traz de verdade.

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#365Dias&Palavras