Era
uma vez infinitos universos e bilhões, zilhões de anos.
Era
uma vez uma vidinha simples. Sem imortalidade, sem felizes para sempre.
Era
uma vez uma combinação de poeira estelar. Carbono, nitrogênio, oxigênio,
enxofre e fosforo.
Era
uma vez... Nós.
Nós
estamos aqui nessa existência passageira, lutando por coisas que não nos trazem
felicidade, gastando nossa vida como se ela fosse eterna. Mas é só um instante essa nossa passagem no
planeta. Eu sequer lembro de quando cheguei aqui pela primeira vez, parece que
foi em uma quinta-feira, às 23:30. Eu acho que estava chovendo, eu acho porque
sou mais da chuva e da melancolia. Sempre fui.
Mas é bem capaz do universo só para me contradizer ter me trazido bem em
um dia fresco e perfeito. O Universo gosta de fazer isso comigo, às vezes. Eu
espero o drama e coisas extraordinárias e ele me serve uma quinta-feira normal,
em uma semana qualquer.
Não
lembro de nada de quando nasci, toda minha infância é um emaranhado de
lembranças difusas, é como se o passado se desprendesse de nós e nos empurrasse
para o presente e o futuro. Nós... Seres feitos de poeira. “Do pó ao pó”. Imaginando
que somos mais, querendo sempre mais. Julgando os outros como se no ápice da
nossa imperfeição fossemos alguma coisa a mais que pó. Nós que esquecemos do agora, que vivemos o
nosso individualismo com paixão.
Vivendo
um instante. Um instante infinito, e como bem disse o Green “alguns infinitos
são maiores que os outros”. Temo que o meu infinito esteja próximo do final,
talvez eu apenas esteja esperando chuva novamente (risos), mas se de fato for o
fim do instante... Ah, como queria dizer que sou grata por todas as estrelas
que brilharam no meu céu particular. Como gostaria de agradecer por termos dividido
histórias, sonhos, medos, musica, poesia, abraços, lágrimas, risos, mágoas,
raiva, dor, esperança, fé e amor. Como queria que soubessem que mesmo que
pareça pouco, mesmo que pareça ter sido um sopro... foi eterno.
Eu
tenho pensado no final, a pandemia nos mudou de alguma forma (algumas pessoas
para pior), as experiências enfrentadas nesse ano também. Eu quando voltar a
ser pó, deixarei para trás um universo brilhante de estrelinhas, sentirei
saudade de rirmos dos erros da Matrix, sentirei mais saudade ainda de ser eu. Eu
fui perfeitamente imperfeita, há uma beleza incrível em ser quinta-feira, podem
acreditar. Sou grata pela beleza.