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Tempo para ser



Quero ter tempo pra me encontrar,

Quero ter tempo para fluir,

Em meio as adversidades resistir,

Fazer dessa terra o meu lar.

 

Ter tempo pra escrever poesia.

Ter tempo de mostrar o meu valor.

Ser um poema por onde eu for.

Quero ser melhor a cada dia.

 

Ter a minha  própria colheita

E colher bons frutos do que fiz.

Até hoje fui mera aprendiz,

Mas ainda serei “alma feita”.

 

Quero ter tempo, quero muito,

E minha boca se encherá de riso,

E as nuvens serão o meu piso,

E apenas ser será meu intuito...

Herança


Deixo aqui uma gracinha

Das muitas que já contei,

Para que riam baixinho,

No dia em que eu voei.

 

Deixo também uma rima

Pobre de dar dó!

Mas o que vale é a intensidade,

E disso eu sabia de cór.

 

Deixo também minha alma

Recitada em prosa e verso,

Mas se não a entendiam antes,

Dela só lerão o reverso.

 

Deixo a certeza que amei

A todos mais que a mim,

E  torço para que sejam plenos,

Pois esse não é o meu fim.

 

Quando eu morrer

 


Quando eu morrer lerão meus textos,

E tentarão entender quem eu era.

Teria sido eu a bela ou a fera?

E aqui terão os contextos

 

Dirão que eu era infeliz

Ou me pintarão de santa?

Será que eu era trovão ou planta?

Mestre, ou uma mera aprendiz?

 

Entenderão meu rugir,

E o silêncio que ardeu?

Saberão o que era meu

E o que recitei de ouvir?

 

Decifrarão a esfinge?

Ou virarei qualquer trem

Recitado por alguém

Que uma aquarela tinge?

 

Respeitarão minha dor

Meus vazios imensos

Meus pensamentos densos

Meus medos, meu torpor?

 

Quando eu morrer saberão,

Que eu fui uma alma perdida

Sem lugar nessa vida

Fui somente um pobre grão.


 

 

Eis o agora

 



O verso foi maior que a canção,

E hoje escrevo sobre ecos,

Desabafos de botecos

Recitados todos em vão.

 

Um rabisco escrito na areia

Que a onda do mar apagou.

Rimas que o tempo versou

E agora no silêncio vagueia.

 

Palavras que não morreram

Mesmo que silenciadas.

Afora o conto de fadas,

São marcas de que viveram.

 

De que houve ali um traço,

Um caractere, o que seja...

E esse emaranhado rasteja

Do firmamento ao espaço.

 

 

Apócrifa

  

Das sombras e breus da vida,

Vielas, becos e charcos,

Mui longe de árvores-barcos,

De uma vida santificada e ungida.

 


Do sul, bem ao sul do norte,

No ponto mais descabido do mundo,

No abismo mais íngreme, profundo,

Beijou a vida, saltou da morte.

 

Marcada com a marca da dor,

Nascida para ser renegada,

Esquecida por muitos, doada,

Apócrifa de tudo com louvor.

 

Mas o destino vil e brincalhão

Achou pouco todo desamor.

Pôs no seu caminho um orador,

Limpo em toda sua extensão.

 

Agraciado do bem mais nobre:

Ser da luz um pertencido.

Amado por Deus, por Ele favorecido,

Tão diferente daquela alma pobre.

 

Cruzou o universo, deles o caminho,

Na junção mais descabida de se pôr

Em um misto de paixão e tolo amor

Numa taça do mais doce e amargo vinho.


Mas trouxe o céu para ela!

Fez sentir inteira e pertencer.

Desejar tudo que não podia ter.

Unir Mar e céu numa só tela.

 

Doce engano tolo e apaixonado...

Ela ainda era ela: abismo e escuridão.

Doada à noite, filha da solidão.

E ele ainda era de Deus o adorado.

 

Seus caminhos se espalharam novamente,

Treva e luz não podem coexistir.

Ambos decidiram por partir,

Afim de protegerem os inocentes.

 

Mesmo chegando ao fim dessa história,

 Presente mudado e terminado o futuro.

Por mais difícil de aceitar, e duro,

Há coisas que ficam na memória.

 

Não se apaga algo tão intenso e bonito.

No Eterno ficam escritos para sempre,

Dele não sei, mas sei que ela sente,

Tudo isso que eu hoje vos repito.

Poeira de poesia

Caminhando sem direção pelo mundo,
Buscando respostas para questões antigas,
Procurando um destino que nos pertença,
Que nos devolva alguma fé, alguma crença.
Somos peregrinos nas vielas da vida.
Somos aves buscando pouso, ninho.
Almas no mundo, solitárias e perdidas.
Vagantes procurando uma saída.
Tropeçando em nossas dores e amores.
Retirando espinhos, colhendo nossas flores.
E em meio a nossos erros, fraquezas e dores...
Somos poeira que o tempo molda e faz sonhar.
Nós somos um grão de sal no universo,
Somos a poesia antiga em prosa e verso,
Que algum dia Deus se pós a entoar

Te escrevo um poema



Me encanta com tua magia,
Meu sonho, acordada ou dormindo.
Te levo, mesmo eu não indo.
Tu és a minha poesia.

Por isso te escrevo um poema.
Um pequeno poema torto,
Do meu coração quase morto.
Para ti, meu nobre tema.

Feito com duas mãos e uma alma.
Falando de saudade e amores.
Um pouco também das dores,
Que a rima, ainda que pobre, acalma.

Nele digo que és o universo inteiro.
Tu me manténs viva, ainda que distante.
Da minha sanidade és o mirante,
És em mim tudo de puro e verdadeiro.

Um poema cheio de sentimento
Onde ponho amor e devoção
Uma prece, uma pequena oração
Teu presente e o meu unguento.

Apaixone-se se novo!



As luzes estão sem brilho,
Você parece até triste,
A felicidade ainda existe,
Tente voltar para o trilho.

Nem todos vão te magoar,
Se dê uma nova chance,
De viver um novo romance,
De tentar voltar a amar.

Precisamos de delicadeza,
De ternura e de paixão,
Abra teu coração,
Ninguém nunca tem certeza,

Se vai dar certo o amor,
Se vai durar por muitos anos,
Não basta só fazer planos,
É preciso ser sonhador.