Do tempo de todas as coisas




Tenho pensado no tempo de todas as coisas, na essência de tudo. Daquilo que somos feitos, daquilo que nos move na vida. Sem teorias prontas, sabe? Apenas eu e meus pensamentos. O que faz de mim alguém relevante para esse planeta?
Do que somos feitos? Parece que estamos nadando em ódio e cobiça. Eu tenho adoecido profundamente por isso. Por sentir muitas vezes que talvez esse mundo não tenha mais lugar para alguém sonhadora e que busca um outro tipo de construção social.
Não, não estou falando de política. Eu falo de ética e moral. Daquilo que vai além do certo e do errado. Daquilo que talvez devêssemos ser. Mas que não somos, nós somos egoístas, nós somos injustos, nós somos ingratos. E sim, eu ainda estou falando de mim. Acho que é mais fácil olhar os próprios erros pensando que não são só meus.
Eu tive alguns anos para buscar ser alguém que fizesse desse mundo um lugar melhor para se viver, honestamente, talvez eu tenha fracassado. Eu sei que a vida de algumas poucas pessoas eu mudei. Que fui ouvido atencioso para muitos, que guardei segredos e dores de muitas pessoas, eu tentei ser amiga, tentei ser a voz da paz nos conflitos, tentei ser conforto para os angustiados, eu busquei os nortes dos outros, muitas vezes, MUITAS vezes eu ajudei pessoas a encontrar seus próprios nortes, enquanto eu seguia perdida...
Ainda assim, não sei se foi o bastante, ao olhar para mim e ver atitudes que eu julgo erradas, sentimentos que não me fazem bem e uma vida completamente perdida, eu me pergunto se fiz o bastante por mim mesma. Que sentido pode ter nessa vida além de sermos a melhor versão de nós mesmos?
E a questão que fica é: Será que eu ainda terei esse tempo? Tempo de ser melhor amanhã do que fui hoje? Espero que sim. Pois eu ainda não sou a melhor versão de mim.



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