Gratidão ao que a vida dá


Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para queimar


Há muito tempo, havia uma menina de cabelos encaracolados e olhos de jabuticaba. Era uma menina comum, não tinha beleza de revistas, não tinha QI dos gênios, nem tinha o dom dos artistas. Mas era gentil e sabia amar como nenhuma outra.
Ela vivia pedindo para a vida coisas e sempre ganhava coisas completamente diferentes das que pedia. Se pedisse um jogo, ganharia uma boneca, se pedisse uma viagem, ganharia férias em casa. Então ela se ressentiu e chorou. Se perguntando o que teria feito de tão mal, que nunca conseguia o que queria.
Foi assim por um bom tempo. Até que ela voltou a pedir algo e recebeu exatamente o que tinha pedido. Inexplicavelmente não ficou feliz. Não era como imaginava. Acontece que algumas vezes idealizamos tanto algo que o que queremos já não é mais o algo em si, é a ideia de tê-lo.
A menina de cabelos encaracolados e olhos de jabuticaba cresceu e aprendeu a lição. Ela não se ressentiria do que a vida trouxesse, pois era como se ela estivesse numa ilha deserta sentada na praia, e o mar lhe trouxesse presentes em suas ondas, ela era grata pelos presentes e pelas surpresas.



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