Havia
algo de diferente em mim. Uma pureza no jeito de olhar as pessoas e acreditar
no bem. Sinto falta desse olhar de inocência, é que quando não ficamos esperando
coisas ruins, a vida fica mais leve. É verdade que dói mais. É bom ter muros
erguidos e não confiar tanto nas pessoas. O coração fica protegido e o joelho
também, mas há uma beleza etérea em se deixar levar sem pensar em nada. É como
o coração fosse uma porta aberta para quem quisesse se chegar e há sempre uma
multidão.
Então
nos magoamos e fica impossível deixar o coração aberto. Quem depois de levar um
choque fica pondo a mão no mesmo lugar? É da natureza humana se proteger. Se
fechar. Mas sinto falta da poesia que é não ter grades na alma. E de não ter
tantas bagagens emocionais, se eu pudesse parava no meio da estrada e soltava
essa mochila no caminho. Depois seguiria a jornada com nada além de um sorriso
e um coração cheio de esperanças.
Acontece
que cada experiência vivida me trouxe até aqui e fez de mim o que eu sou. E eu
sei que mesmo estando assim, meio quebrada, meio confusa eu sou a melhor versão
de mim, porque apesar dos muros e grades, aqueles que conseguem entrar recebem
todo amor do mundo.


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