Quando os dedos tocam as teclas e as teclas formam palavras,
é de vida que elas falam. É dos atravessamentos, das inquietações. Do âmago.
Daquilo que o palpável não é capaz de tocar. Daquilo que é indizível na fala. No
entanto, é dito sem perceber na escrita. Quando se escreve o que vai além das
máscaras, no cerne do ser, não é porque se quer uma plateia ávida a entender.
Não! Algumas vezes não haverá quem entenda, quem nos traduza. Quando escrevemos
do profundo é porque estamos nos afogando muito rapidamente. Sem ar. Sem ar...
E escrevemos para ganhar fôlego. Para ganhar tempo. Para sobreviver...


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