Ando pensando sobre perder sonhos ao longo da vida.
Temo que a gente sempre deixe mais da gente pelo caminho, do que possa
perceber.
Já deixei alguns para trás, já me deixei para trás.
A vida nos entorta. Inverte nosso olhar para o
horizonte. E a gente se adapta para sobreviver. Para continuar seguindo. Às
vezes falta parte da alma, noutras falta parte da nossa existência. Falta...
Falta o sorriso sincero. Falta o brilho no olhar.
Falta o calor no coração.
Perder um sonho nos desqualifica. Nos apaga. Ficamos
descoloridos e desconsolados. Deixamos de acreditar em nós mesmos. E se não
formos capazes de nada? E se nossa existência não fizer sentido? E se formos o
erro do universo, aquela exceção que confirma a regra?
Eu mesma não sei se fui um erro. Talvez sim. Mas eu
quero ser o acerto. O meu próprio acerto. Eu quero fazer a diferença e quando
um sonho morrer quero gerar outro e mais outro. Talvez eu seja uma parideira de
sonhos, daí alguns deles morrerão no caminho, entretanto, outro, resistirão
assim como eu resisti. Eu existo. Erro ou acerto, ei de escrever minha história
com a mão dos deuses do Olimpo.
Lembro-me sempre de um trecho de um poema da Florbela
Espanca:
“ Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!”


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