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O que se escreve na madrugada
Mais uma madrugada insone. Você deve está dormindo. Isso não é ruim, que bom que um de nós dorme, que bom que um de nós não sente dor.
Ando vendo filmes tristes, ando chorando escondida, ando orando baixo, no escuro. Antes quando ficava triste eu lembrava da tua voz cantando pra eu dormir, lembrava do teu cheiro e lembrava de umas coisas tolas como o modo que você penteia o cabelo e que um dia eu assanhei ele. Que um dia te fiz perder o folego, um dia lá traz... Você pensou me amar. Mas as coisas mudaram nem teu perfume é o mesmo.
Eu parei de caminhar. Nunca mais fui à sinuca, dói... Não ouço mais nossas canções (ou talvez elas sempre foram só minhas), guardei um certo baú no fundo do armário. De algumas coisas me desfiz. Desfiz-me de esperanças e da crença de que nos reencontraríamos um dia, pensava que Deus veria o tanto que nos amávamos lá do alto e que nos juntaria. Ele não verá isso, porque o teu amor por mim foi casa frágil e não suportou a tempestade.
Desfiz-me da crença no amor invencível, infinito, eterno... O nosso não durou 24 meses e se me preocupei em não ferir ninguém pelo caminho, não consegui. Estou ferida profundamente. A pessoa que eu fui nem de longe é a que eu sou agora. Não há consolo no meu coração, simplesmente porque eu não acredito mais. Não posso versejar como antes, pois já não creio nas minhas palavras.
O futuro parece reto e certo. Estão todos seguros. Estão todos felizes exceto eu. Aquela menina que sonhava com o amor, que cria em promessas e honestidade, hoje é só um vulto insone que escreve na madrugada em meio as lágrimas. E esses filmes tristes... São os finais infelizes... São as vendas sobre os olhos nas despedidas. É você virando lembrança na noite escura... E eu pedindo muito que não amanheça sobre as minhas memórias, afinal elas são tudo o que me resta.

Do amor que não vai embora...
Lembra quando deitávamos sob o sol? Você tocava em minha
pele docemente e desvendávamos as nuvens. Eu te olhava nos olhos e o meu mundo
era exatamente ali, dentro deles...
Nossa canção não toca há tanto tempo. Meu mundo ficou mais
vazio, sem sentido. Não quero mais parecer uma tola, porque você se foi e fica
parecendo que eu amo com exagero. Eu sempre amei com exagero... Mas com você
eu quis que fosse diferente. Eu quis ser amada.
E o engraçado é que você já foi há tanto tempo e eu ainda
sinto teu perfume ao redor. Eu ainda ouço o som da tua voz sussurrando em meu
ouvido. Eu ainda danço pensando em você. Ficou aquele jeito de sorrir, meio
abobalhado, na minha memoria, ficou o desejo do para sempre.
E eu só queria te contar sobre o meu dia, te falar de
saudade e de que desde que partiu o sol não voltou a brilhar, eu te faria rir, eu
te traria paz e as nuvens fariam sentido novamente. Queria te dizer que dói que tenha ido embora, porque você se foi, mas o amor ficou. E fica todos os dias...

Recordação da ausência
Por Juliana Lira
&

Estamos deitados na proa dos saveiros. Tu enlaças os teus dedos em meus cabelos. Nos beijamos. Tu encostas a tua língua em meus lábios. Falamos o idioma das candeias ardendo. Canta-me uma canção de chuvas marítimas. Destas que ouço quando a solidão esvazia as gavetas do meu quarto. Tu aproximas o teu corpo e fazes do meu braço uma cama. Deito-me. Deitamos. Cai uma fotografia no chão. Rever uma fotografia é como respirar poeiras dispersas nos anos. A musica que ouço agora diz que tu foste embora.
O tempo é o esteio das minhas tantas súplicas. Eu que ouvi o ar rasgado por teu canto, tão cedo bebi a taça do meu próprio pranto. Promessas de eternidade suprimidas por acasos, carícias estáticas, distantes. Não foi a vida a ladra da nossa sinfonia, fostes tu quem a silenciou. Onde estão as promessas? Tu deitavas comigo naqueles lenções de flores acumulados na lembrança. Hoje as fotos... Convenço-me não ser a lembrança a melhor companheira do meu vazio. Meu grito silencia. Desisto. As tuas mãos já feriram o vento. Rasgaram a eternidade com um adeus.
Nós dois fomos, não somos mais...
*´¨)
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Essa parceria foi muito desejada. Há muito tempo admiro os escritos desse grande poeta, um escritor que encontra poesia até no asfalto. Que emociona, que nos preenche de sentidos e sentimentos. Sandrio Cândido... O poeta mora aqui

É insano amar estrelas, é insano amar o mar...
Dizer que o que tínhamos era insano é o mínimo. Nossa casa, construímos nas nuvens. Nossa cama era a poesia. E a canção foi o cobertor. Culpa minha! Nunca coloquei os pés no chão, nunca tive a sensibilidade das bailarinas ou a coerência das outras meninas.Eu não. Divago tranquila entre o real e a fantasia até que junto os dois num só, e te entrego pra morder. Você não quis morder! Você sempre teve os pés sujos de areia... Sempre te olhei pensando: “Como posso perder o coração assim, pra alguém tão “normal”?”
Lembrei que quando nos conhecemos, você era apenas um andarilho perdido. Sem rumo, sem confiança. Insatisfeito com a estrada e infeliz com a vida. Acho que te mostrei meu mapa do universo. Quis te desenhar uma estrada nova. Coloquei flores no caminho, enfeitei a paisagem, te disse pra traçar um destino e ter metas.
Plantei a ideia que chegarias a qualquer lugar que quisesse. Não sei, mas desde o primeiro dia acreditei que chegarias a qualquer lugar que quisesse.
Agora te vejo seguro, caminhando pra o destino escolhido. Não me surpreendo que esse destino não
seja as nuvens. E se eu disser que do dia pra noite você foi embora, eu vou está mentindo. Há tempos te vejo esvair pelos meus dedos como areia. Há tempos te sinto indo... Agora foi.
Meu Painho que era muito pé no chão, dizia: “Não namore as estrelas, que elas você não pode tocar...” Esse tipo de coisa sabe? Mas sempre fiz uso das asas, nunca acreditei em limites capazes de me parar. O limite é o desejo que emprego, é a fé que transbordo e o foco que verto!
Eu quis te fazer bem. E fiz! Eu sabia que eras a razão enquanto eu sou o subjetivo do subjetivo. Sabia que eras a coerência, enquanto sou a confusa indefinição de ser. Eu sabia! Mas esqueci. A gente esquece o que sabe quando conjuga a felicidade com o universo.
Perguntei baixinho (você não viu, mas eu soluçava um choro contido, o choro dos mares inversos):
Eu quis te fazer bem. E fiz! Eu sabia que eras a razão enquanto eu sou o subjetivo do subjetivo. Sabia que eras a coerência, enquanto sou a confusa indefinição de ser. Eu sabia! Mas esqueci. A gente esquece o que sabe quando conjuga a felicidade com o universo.
Perguntei baixinho (você não viu, mas eu soluçava um choro contido, o choro dos mares inversos):
-Eu não existo mais?E você me respondeu (os pés mais sujos de areia que nunca):
-Existe, o que não existe é o nós, embora nossa história sempre existirá.
E isso rasgou meu peito como um punhal enferrujado. Virei um conto dos Irmãos Grimm? Das coisas que nos aconteceram, acho que te ouvir conjugar nossos verbos no passado foi a mais dolorosa. De repente eu nem era mais literatura, virei história.
E te vi sem jeito. Meio constrangido de me magoar, meio sem graça de me dá “o fora”, meio amedrontado de que eu ficasse ali como sombra. E o meu amor flamejou dentro do meu peito, dizendo pra eu parar! Pra que eu não te forçasse a se sentir mal me magoando. Entende?
Esse meu amor insano, não quer nem ao menos que você se constranja. Porque te conjugo no presente em todos os verbos que me fazem sorrir. E se choro é por não poder conter o eterno. Se choro é por te amar no presente do indicativo e te indico: Isso não vai mudar.
Então, não precisa vim assinar minha carta de despejo, da nuvem que pintamos pro nosso amor viver. Indubitavelmente desataram-se os nós que nos faziam um.Voltamos ao singular. E agora resta a essa metade te desejar o que melhor existir: Que haja paz. Que haja saúde. Que haja sucesso. Que haja amor!
Sim! Que haja amor!... Que amor egoísta e mesquinho seria o meu, se desejasse que o homem que mais no mundo seguisse solitário e infeliz? Que sejas feliz! E que ames!
Porque eu amo. E em todos os amores que eu tiver na vida, mesmo que por um livro rabiscado e antigo, eu sigo amando... Você!

Chega a ser cruel tanta dor
Chega a ser cruel tanta dor,
Em carne viva a alma alenta.
Despida de sua vestimenta,
Perdida em espanto torpor.
E eu olho os deslizes dados,
Desse caminhante incerto,
Em que o que se quer tão perto,
Mora entre os braços errados.
Enquanto que o certo, vagante,
Peregrina sem nada entender.
No peito a dor lancinante
E as marcas que a vida traça.
Formando a essência do ser,
Nas vielas que ele abraça.
*´¨)
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Foi apenas um instante...
Seu toque suave produzindo arrepios, sua voz penetrando em minha alma, a experiência mais doce.Um eclipse! Sol e Lua não ocupam o mesmo espaço, e o sol brilha independente, faz suas próprias rotas, é imune a satélites...
Um instante de magia, de poesia e de perfeição, cada momento sendo uma dádiva, cada descoberta um som de musicas. Seu solo intocado, imune a tudo, segue como se nunca houvesse pisado nele ( talvez jamais tenha pisado), e eu vou seguindo com um toque de veneno em minhas entranhas, veneno que não mata pois fez-me renascer para tudo que é belo.
Um instante que tem requintes de eternidade, por isso adeus jamais poderei dizer, que seja uma história imperfeita, histórias imperfeitas também tem seus encantos, de mim não terá ponto final, tudo o que posso dar, tudo o que pode receber de mim são reticências...
E no mais, valeu o perfume das flores, não há culpados, não há vítimas tão pouco, e se dizes que eu o superestimava, seguirei fazendo isso, pois apesar de seguir cumprindo as promessas que um dia fiz, jamais negarei que é mágico!
Guardo-o na porção infinita do universo reservada às estrelas de alta grandeza, ali ficarás pela eternidade, mesmo que para ti essa eternidade tenha durado apenas um instante...
Um instante de magia, de poesia e de perfeição, cada momento sendo uma dádiva, cada descoberta um som de musicas. Seu solo intocado, imune a tudo, segue como se nunca houvesse pisado nele ( talvez jamais tenha pisado), e eu vou seguindo com um toque de veneno em minhas entranhas, veneno que não mata pois fez-me renascer para tudo que é belo.
Um instante que tem requintes de eternidade, por isso adeus jamais poderei dizer, que seja uma história imperfeita, histórias imperfeitas também tem seus encantos, de mim não terá ponto final, tudo o que posso dar, tudo o que pode receber de mim são reticências...
E no mais, valeu o perfume das flores, não há culpados, não há vítimas tão pouco, e se dizes que eu o superestimava, seguirei fazendo isso, pois apesar de seguir cumprindo as promessas que um dia fiz, jamais negarei que é mágico!
Guardo-o na porção infinita do universo reservada às estrelas de alta grandeza, ali ficarás pela eternidade, mesmo que para ti essa eternidade tenha durado apenas um instante...




